Dois negros fujões pisam secos no asfalto.
– Fujo da vida.
– Busco a morte.
Um velho trançado, cabelo amarrado. Queimado de sol. Fortemente armado:
– Procuro dois negros fujões. Buscam a vida. Fogem da morte.
Deitados no asfalto. Embrenhados no mato. Um cartaz!
“Dois negros fujões procurados”.
No gueto afastado, com tudo avessado, um negro arrastado, morto e crucificado.
Dois negros fujões exilados.
Fujo da vida. Busco a morte. Supero o paraíso e aposto na sorte.
Seu grito final – um rito animal:
– Exalto a não vida, o exílio da morte.


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